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Alta liderança no ESG: 6 responsabilidades essenciais

Compliance e Governança
Patrícia Punder
Patrícia Punder, sócia-fundadora da Punder Advogados
Publicado em 21/09/2026 · Atualizado em 30/09/2026 · 6 min de leitura
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Neste artigo
  1. 1. Definir prioridades e integrar ESG à estratégia
  2. 2. Fortalecer a cultura organizacional
  3. 3. Comunicar objetivos e responsabilidades
  4. 4. Garantir recursos compatíveis com os compromissos assumidos
  5. 5. Incorporar ESG às decisões estratégicas
  6. 6. Alinhar a organização às expectativas dos stakeholders
  7. O envolvimento da liderança também reduz o risco de ESG apenas de aparência
  8. Comprometimento precisa ser acompanhado de envolvimento

O comprometimento e o envolvimento da alta liderança são essenciais para a efetividade de um programa de ESG.

Entretanto, comprometimento e envolvimento não significam exatamente a mesma coisa.

Uma empresa pode declarar apoio às iniciativas ambientais, sociais e de governança e, ainda assim, manter sua liderança distante das decisões relacionadas ao programa.

Delegar atividades não representa um problema.

Organizações precisam de profissionais e equipes preparados para desenvolver políticas, acompanhar indicadores, avaliar riscos e implementar as ações definidas.

O que não deve ser completamente delegado é a responsabilidade sobre decisões estratégicas.

Programas de ESG podem exigir orçamento, mudanças operacionais, definição de responsabilidades e acompanhamento de indicadores. Dependendo da estrutura da organização, determinados temas também precisam chegar ao conselho de administração ou à instância máxima de decisão.

Sem esse envolvimento, existe o risco de ESG se transformar em um conjunto de ações periféricas, desconectadas da estratégia real da empresa.

Em algumas situações, a preocupação pode ficar ainda mais restrita à imagem.

Quando existe diferença significativa entre aquilo que a organização comunica e aquilo que efetivamente faz, surgem riscos reputacionais e questionamentos relacionados a práticas como greenwashing e outras formas de comunicação incompatíveis com a realidade.

Mas, afinal, por que a alta liderança desempenha um papel tão relevante em programas de ESG?

1. Definir prioridades e integrar ESG à estratégia

Sem o apoio da alta liderança, programas de ESG podem não receber prioridade adequada.

Uma iniciativa pode possuir excelentes objetivos e profissionais qualificados, mas ainda assim enfrentar dificuldades se não houver recursos, espaço na agenda da organização e conexão com a estratégia empresarial.

ESG não deveria funcionar como programa paralelo.

Questões ambientais, sociais e de governança podem interferir em decisões sobre cadeia de fornecedores, investimentos, inovação, expansão, pessoas, reputação e riscos regulatórios.

Cabe à liderança assegurar que os assuntos relevantes sejam considerados justamente nos momentos em que as principais decisões do negócio são tomadas.

Quando ESG aparece apenas depois que toda a estratégia já foi definida, sua capacidade de produzir mudanças tende a ser menor.

2. Fortalecer a cultura organizacional

A alta liderança também possui papel decisivo na formação da cultura.

Sustentabilidade, ética e responsabilidade não se tornam valores organizacionais apenas porque aparecem em documentos ou campanhas internas.

Colaboradores observam aquilo que as lideranças efetivamente fazem.

Observam quais comportamentos são reconhecidos.

Quais decisões são recompensadas.

Quais problemas são ignorados.

E o que acontece quando os valores declarados entram em conflito com metas financeiras ou pressões operacionais.

Se a empresa afirma que determinado princípio é essencial, mas seus dirigentes tomam decisões incompatíveis com ele, as políticas rapidamente perdem credibilidade.

Por outro lado, quando a liderança demonstra por meio de decisões que sustentabilidade e integridade realmente fazem parte dos critérios da organização, existe maior possibilidade de esses valores chegarem à rotina das equipes.

3. Comunicar objetivos e responsabilidades

A alta direção possui ainda papel importante na comunicação da visão e dos objetivos relacionados ao ESG.

Sem diálogo claro e constante, colaboradores podem não compreender por que determinadas iniciativas existem ou como suas atividades estão relacionadas a elas.

Uma boa comunicação precisa responder perguntas simples:

O que a organização pretende alcançar?

Por que esse objetivo é relevante?

Como será medido?

Quem possui responsabilidade?

O que cada área precisa fazer?

Como dúvidas ou problemas devem ser reportados?

Quando essas respostas não existem, ESG pode parecer uma iniciativa abstrata ou exclusivamente institucional.

Quando existem, o programa tem mais condições de ser incorporado à atividade real da organização.

4. Garantir recursos compatíveis com os compromissos assumidos

Programas de ESG podem exigir investimentos em tecnologia, capacitação, controles, processos, auditorias e mudanças operacionais.

Isso exige planejamento.

Metas sem recursos possuem baixa capacidade de implementação.

Se uma empresa anuncia objetivos ambiciosos, precisa avaliar de maneira realista o que será necessário para alcançá-los no curto, médio e longo prazo.

Isso não significa aprovar todo investimento proposto.

Significa alinhar a dimensão dos compromissos à capacidade de execução da organização.

Um objetivo público sem estrutura para ser implementado pode se transformar em fonte de frustração interna e risco reputacional externo.

5. Incorporar ESG às decisões estratégicas

Sem participação da alta direção, considerações ambientais, sociais e de governança podem ficar fora de decisões empresariais relevantes.

Uma expansão pode gerar novos impactos.

Um fornecedor estratégico pode trazer riscos ambientais ou sociais.

Uma aquisição pode alterar significativamente o perfil de exposição da companhia.

Uma inovação pode criar novas oportunidades e, ao mesmo tempo, novos riscos.

A liderança não precisa executar pessoalmente todas essas análises.

Sua responsabilidade é garantir que informações relevantes sejam identificadas e levadas às instâncias responsáveis pelas decisões.

ESG precisa participar da estratégia antes da decisão — e não apenas da justificativa apresentada depois dela.

6. Alinhar a organização às expectativas dos stakeholders

Empresas se relacionam com diferentes grupos.

Investidores, consumidores, colaboradores, fornecedores, comunidades, autoridades e outros stakeholders podem possuir expectativas distintas sobre a atuação da organização.

A liderança precisa compreender quais dessas expectativas são relevantes para o negócio e como devem participar do processo decisório.

Isso não significa atender automaticamente a toda demanda externa.

Significa conhecer as partes interessadas, identificar riscos e oportunidades e avaliar de maneira estruturada como essas informações afetam a organização.

Ignorar transformações nas expectativas dos stakeholders pode gerar impactos sobre confiança, reputação, relacionamento comercial e até acesso a oportunidades.

O envolvimento da liderança também reduz o risco de ESG apenas de aparência

Um programa de ESG sem participação efetiva da liderança corre o risco de se concentrar excessivamente na comunicação.

É possível produzir relatórios, campanhas e compromissos públicos sem que esses elementos estejam suficientemente conectados às operações e decisões reais da organização.

É justamente essa desconexão que precisa ser evitada.

Compromissos públicos devem estar relacionados a responsáveis, recursos, indicadores e mecanismos de acompanhamento.

Quanto maior a exposição de uma meta, maior deve ser a capacidade de explicar como ela será alcançada e demonstrar sua evolução.

A liderança possui papel fundamental nesse processo porque muitas dessas definições ultrapassam a competência de uma única área.

Comprometimento precisa ser acompanhado de envolvimento

A falta de apoio da alta liderança pode comprometer a integridade, a coesão e a efetividade dos programas de ESG.

É fundamental que dirigentes compreendam e respaldem as iniciativas relevantes para que elas possam fazer parte da estratégia e da cultura organizacional.

Delegar atividades é necessário.

Delegar integralmente a responsabilidade pelo ESG é diferente.

A efetividade depende da combinação entre profissionais capazes de implementar o programa e lideranças capazes de incorporar seus princípios às decisões do negócio.

Quando isso acontece, ESG deixa de funcionar apenas como projeto institucional e passa a participar da forma como a organização administra riscos, oportunidades e sua própria sustentabilidade.

A implementação de ESG exige governança, responsabilidades claras e participação efetiva da liderança.

A Punder Advogados auxilia organizações na estruturação de políticas, processos, avaliação de riscos e mecanismos de governança relacionados à agenda ESG. Conheça a nossa consultoria ESG para empresas.

Patrícia Punder
Sobre a autora
Patrícia Punder

Sócia-fundadora da Punder Advogados. Atuação em compliance desde 2008 e responsabilidade sobre 8 países da América Latina em posições executivas.

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